Investindo sem FGC: A importância da diversificação

Acredito que a essa altura do campeonato a grande maioria dos investidores já percebeu como está difícil encontrar investimentos que rendam bem na renda fixa.

E para piorar isso não só está difícil como deve piorar ainda mais, dado que os juros deverão continuar caindo até o final do ano, correndo o risco de chegar a uma taxa de 7% ao ano (uma mínima histórica) de acordo com a expectativa das 5 instituições que mais acertam suas previsões, apresentadas no Relatório Focus do Banco Central.

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Isso significa que aquela vida mansa do passado recente na qual o investidor podia simplesmente colocar todo seu dinheiro em ativos de Renda Fixa como LCI, LCA, CDBs e afins, ficar confortável e protegido pela garantia de R$ 250 mil do FGC e ainda conseguir uma ótima rentabilidade sobre o seu dinheiro, ficou para trás.

Mas calma, isso também não quer dizer que não dará mais para investir bem seu patrimônio financeiro e ter uma boa rentabilidade com relativa segurança e liquidez para quando precisar do seu dinheiro.

A diferença é que agora qualquer investidor vai precisar fazer a lição de casa um pouquinho melhor e sair do mais do mesmo da Renda Fixa buscando algumas alternativas mais sofisticadas.

E uma das chaves fundamentais para conseguir isso é a:

Diversificação

Talvez já deva até ter ouvido falar um bocado sobre isso, mas esse tema da diversificação é tão importante e muitas vezes tão mal compreendido que os educadores financeiros acabam precisando bater nessa tecla com certa frequência.

Aqui mesmo no Dinheirama, desde lá de 2007 quando os juros ainda eram altos, já se falava da importância da diversificação.

Veja bem, não estou sugerindo que você deva abandonar completamente a Renda Fixa, sobretudo se você for um investidor com perfil de risco mais conservador.

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A ideia é simplesmente que se você quiser voltar a ter um rendimento maior do seu dinheiro, você terá que investir pelo menos parte dele em aplicações mais arriscadas, mas que tenham maior potencial de ganho.

Mesmo que você seja ultraconservador, você poderia correr alguns riscos e ainda assim proteger 100% do seu capital. Imagine o seguinte exemplo:

Um investidor tem R$ 100.000,00 para aplicar durante 1 ano e não aceita nenhum tipo de perda. Por isso, ele aplica R$ 95.000,00 em ativos de Renda Fixa que vão entregar para ele 7% até o final do período e outros R$ 5.000,00 em ativos de renda variável. Agora imagine 3 cenários distintos em que:

  • O investidor acertou em cheio o ativo de renda variável que ele investiu se valorizou em, por exemplo, 20% no ano. Nesse caso o valor final que o investidor teria em sua conta seria de R$ 113.000,00, o que representaria um retorno de 13% ao ano;
  • O ativo de renda variável escolhido pelo investidor não saiu do lugar e terminou o período valendo exatamente os R$ 5.000,00 iniciais. Nesse caso o investidor teria um valor final de apenas R$ 106.650,00, que representaria uma valorização de 6,65% ao ano, um pouco menor que o que teria ganho só na renda fixa;
  • Agora, se nesse exemplo o investidor tiver escolhido um péssimo investimento de renda variável e perder completamente os R$ 5.000,00 investidos, no final de um ano ele ainda terá em sua conta o valor de R$ 101.650,00. O rendimento teria sido bem ruim, de apenas 1,65% ao ano, mas ainda assim seu valor inicial estaria totalmente protegido.

Apesar de eu ter usado um exemplo bem simples, sem considerar custos ou impostos nas contas, a ideia é mostrar como a diversificação pode mudar completamente o ganho de um investidor, mesmo sem arriscar o seu capital inicial.

Para fazer isso na prática, no entanto, você deve tomar alguns cuidados antes de sair diversificando seus investimentos.

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Como diversificar

Cada investidor em particular tem que diversificar seu dinheiro seguindo seu perfil de risco, objetivos e até mesmo suas convicções sobre o que mais lhe deixa confortável e confiante em relação ao futuro do seu dinheiro.

Mas algumas regrinhas básicas servem para todo mundo, dentre as quais separo algumas abaixo:

  1. Não diversifique em excesso: Não adianta colocar dividir seu dinheiro em 100 ativos diferentes apenas por diversificar. Sem falar na complexidade operacional de fazer isso na mão e aplicar em centenas de investimentos distintos, você jamais conseguiria acompanhar o desempenho disso tudo sozinho. E na melhor das hipóteses o que você acabaria ganhando seria a “média” do que o mercado estivesse rendendo.
  2. Não diversifique em ativos correlacionados: Também não adianta você diversificar todo seu dinheiro em, por exemplo, uma franquia de paletas mexicanas e outra de Milk Shakes. Quando chegar o inverno você só vai sofrer em dobro;
  3. Cuidado com os tipos de risco: Independentemente de quão boa seja a diversificação que você faça dos seus ativos, você nunca estará totalmente protegido de riscos. Isso porque para qualquer investimento existe o que chamamos de Risco Diversificável (ou de mercado) e Risco Não Diversificável. Ou seja, você poderá proteger seu dinheiro das oscilações de um mercado ou setor específico diversificando seus investimentos. Mas se explodir uma guerra no país em que você tem dinheiro ou o governo local decretar moratória da dívida pública, provavelmente isso te afetará de alguma forma;
  4. Seja estratégico: É claro que a diversificação tem como objetivo reduzir os riscos de mercado de sua carteira de investimentos, mas isso não quer dizer que basta você sair aplicando em qualquer coisa não correlacionada. Procure construir uma carteira inteligente que se beneficie com o que você espere para o futuro;
  5. Calibre o risco pela volatilidade: Em último lugar, mas não menos importante, faça uma diversificação que atenda seus requisitos de perfil de investidor. Se você é um investidor mais agressivo, não precisa diversificar em ativos que arruínem as oscilações de mercado da sua carteira. Foque em deixar a diversificação em um nível de volatilidade que te deixe mais confortável.

Pareceu difícil ou cansativo demais para você?

Não se preocupe, resta ainda uma última saída mais simples.

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Diversificando de maneira simples

Sei que a diversificação seguindo todas as regras que expus até aqui realmente não é muito fácil, sobretudo para quem não dedica tempo integral aos investimentos.

E isso que nem falei de estratégias de diversificação mais sofisticadas como a Paridade de Risco!

Por isso uma alternativa que costuma funcionar para a grande maioria dos investidores é terceirizar essa tarefa árdua para bons gestores de recursos através dos Fundos de Investimentos.

Dessa forma, além de deixar o complexo trabalho de diversificação e alocação de ativos na mão de um profissional qualificado e focado 100% do dia dele nessa tarefa, você pode ainda diversificar seu capital em diferentes profissionais e estratégias de investimentos.

É claro que nesses casos é ainda mais importante escolher bem onde você irá colocar seu dinheiro, afinal de contas você estará entregando a responsabilidade da proteção e rentabilidade dele para outra pessoa.

E é por isso que no Mais Retorno desenvolvemos uma ferramenta específica para simplificar essa avaliação e os investidores poderem selecionar os melhores gestores do país para cuidar do seu dinheiro.

Você pode acessar essa ferramenta diretamente por aqui -> Buscador de Fundos.

E você? Já diversifica seu dinheiro? Está preparado para o novo cenário de juros baixos?

Comente aqui embaixo!

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Este artigo foi escrito por Felipe Medeiros.

Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.
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